Midias Sociais 



23 de Março de 2018

O futuro do agronegócio brasileiro

 

Por: Benjamin Salles Duarte - Engenheiro agrônomo


Apesar de haver alguns cenários promissores, que resultaram da convergência histórica de fatores aceleradores numa perspectiva de tempo, entre eles os estímulos de mercados, o futuro do agronegócio é uma projeção, possibilidade, oportunidade, presumivelmente plausíveis, e que se fundamenta numa trajetória que reúne o passado, o que foi feito, o presente, o que se faz, e o futuro onde se pretende chegar nos eixos econômico, social e ambiental.


São milhares de condicionantes que interferem e determinam esse planejar, avaliar, corrigir, excluir, convergir, e submetidas nos seus desdobramentos presumíveis aos desempenhos das políticas agrícolas, da pesquisa agropecuária substantiva, do acesso à informação, da adoção de inovações, gestão para resultados, e também de uma aguda percepção e prática, entre os atores públicos e privados, cerca das inovações agrossilvipecuárias indutoras, principalmente em nível de campo, e que venham a resultar num balanço ambiental positivo ou o uso planejado dos recursos naturais, como também sejam ancoradas no decifrar recorrente dos mercados, e alguns até enigmáticos.


Entretanto, algumas pesquisas já se revelam fundamentais sobre futuro do agronegócio brasileiro até agora, vigoroso, que passa pelo eixo da agricultura, sem subestimar outras culturas e criações, e se aprofundam num tema abrangente, instigante, tecnológico, e essencial ao País nas artes de plantar, criar, abastecer, exportar, conservar e preservar, indissociáveis.


Como pano de fundo, essa proposta de globalização para tecnologias, produtos e serviços, aquecida e contraditória, é a busca permanente de mercados, e visa fortalecer o poder de troca dos países envolvidos, pois, quem compra, quer vender. Uma lógica transparente e prática. O Brasil adquire o trigo da Argentina, em média 50% do consumo interno, e vende-lhes os produtos e serviços. Entretanto, em 2013 a FIAT inaugurou uma moderna fábrica de máquinas e equipamentos agrícolas na Argentina (Google).


De outro ângulo, não menos importante, o Censo Agropecuário de 2006, vigente, foi objeto de análise detalhada por um grupo de pesquisadores, como também o êxodo rural, com base nos Censos Demográficos do IBGE. As conjunturas que se seguem representam a interpretação dos resultados das análises num cenário revelado de que o crescimento da agricultura brasileira continua sendo fortemente influenciado pelas tecnologias, e muito pouco pelo crescimento da área plantada.


Portanto e por acréscimo, em função dessas análises, se vislumbra um futuro, assim configurado; agricultura poderosa, que caminha para ser a segunda maior do mundo; alimenta os brasileiros e acumula enormes excedentes exportáveis; baseada na ciência e movida pela tecnologia, sendo que, no custo de produção, o maior peso é dos insumos comprados nas cidades.


E mais; mecanizada, liberando a mão de obra; pouca gente no campo; os centros de decisão serão urbanos no Brasil, e exterior; agricultura integrada aos mercados interno e externo; cerca de 90% da produção comandados por 12% dos estabelecimentos rurais; e uma agricultura dualista, com a abundância ao lado da pobreza rural, que será basicamente no Nordeste, mas presente em mais três regiões brasileiras, as do Centro-Oeste, Sudeste, e Sul.


Quais as conjecturas decorrentes dessas análises? Elencam-se as seguintes; os fatos observados descrevem a agricultura que emerge do Censo de 2006, e dos Censos Demográficos, portanto, que este estilo de agricultura vai perdurar; a concentração da produção vai se agravar; a população residente no meio rural e o emprego rural serão cada vez menos expressivos, bem como as políticas de transferência de renda, que também procuram deter o êxodo rural, continuarão sendo, neste aspecto, derrotadas pelas forças do mercado, e incapazes de atenuarem seus efeitos. Na safra 2017/2018, o Mato Grosso, Paraná, Rio Grande do Sul e Goiás devem responder por 68,2% da produção brasileira de grãos. Concentração!


Outrossim, se não forem atenuadas ou removidas as imperfeições de mercado, pelas quais a pequena produção vende mal o que produz e, da mesma forma, compra mal os insumos, a solução do problema da pobreza via agricultura continuará sendo inviável. Além disso, as políticas de transferência de renda serão impotentes para reter a população nos campos. Vale ressaltar que, no contexto do Censo Agropecuário de 2006, essas análises e projeções foram elaboradas pelos pesquisadores da Embrapa, Eliseu Alves, Renner Marra, Geraldo Souza, e Eliane Gomes.


Porém, outras condicionantes precisam ser atendidas nesse avançar; as logísticas operacionais, o crédito rural suficiente e oportuno; a assistência técnica pública e privada; os investimentos em pesquisa e desenvolvimento; ganhos de produtividade e qualidade nas culturas e criações; a lucratividade na agro economia, agricultura irrigada, e a distribuição da renda per capita, que estimula também o consumo de alimentos, e também bons acordos agrícolas pactuados no mercado externo, entre outras ações estratégicas essenciais ao desempenho sustentável no abastecer e exportar. De janeiro de 2015 a fevereiro de 2018 as exportações do agronegócio brasileiro somaram US$238,71 bilhões (Seapa), sendo que esses dados falam por si mesmos!

 

 

Fonte: Benjamin Salles Duarte

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